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O PATRIARCADO, IMPACTOS NEGATIVOS ÀS MULHERES E A UMBANDA - POR EDUARDO DE OXOSSI

 


O patriarcado, é um sistema social que concentra o poder nas mãos dos homens e os coloca em uma posição de superioridade em relação às mulheres. Trata-se de uma estrutura política, cultural, estrutural, social profundamente arraigada na humanidade. Essa ordem social, construída ao longo de séculos, tem como base a dominação masculina e a submissão feminina, permeando todas as esferas da vida: profissional, espiritual, familiar, afins.

 

Historicamente, o patriarcado destinou as mulheres a papéis secundários, limitando suas oportunidades e impondo-lhes uma série de normas e expectativas. A mulher era vista como propriedade do homem, seja de seu pai ou de seu marido, e sua principal função era cuidar da casa e da família. Essa visão tradicional, que persiste até os dias de hoje, contribuiu para a desigualdade de gênero e para a perpetuação de diversos tipos de violência contra as mulheres.


O Patriarcado faz com que as mulheres somente possam ocupar papeis permitidos pelos homens, como se a mulher não pudesse ser empresária, esportista, sacerdotisa ou outra função social que o sistema entenda que é destinado apenas à figura masculina. 

 

De acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar (VIGISAN), divulgado em 2022, a insegurança alimentar é maior em famílias chefiadas por mulheres negras, o que nos indica que os impactos do patriarcado são ainda maiores e mais presente nas mulheres negras. A interseccionalidade de gênero, raça e classe social intensificam as desigualdades e as opressões que elas enfrentam.

 

Historicamente marginalizadas e submetidas a um processo de dupla discriminação, sofrem com o racismo, o sexismo e as opressões classistas. Essa combinação de fatores as torna ainda mais vulneráveis à violência, à pobreza e à exclusão social. Quando essa mulher preta ainda for adepta da religião de asé como Umbanda, Candomblé, Quimbanda ou outra, esses ataques, opressões e boicotes são ainda maiores.

 

A Umbanda é formada em sua maior parte por mulheres, todavia o patriarcado ainda se manifesta com frequência de homens tentando oprimi-las: sejam policiais à porta, depredação do templo, abuso sexual, limitação de cargos nos templos aos homens, preconceito, etc.

 

Combater o patriarcado não apenas no terreiro, mas na sociedade é um desafio que exige a participação de todos e todas. É fundamental desconstruir os estereótipos de gênero e promover a igualdade entre homens e mulheres. Algumas ações que podem contribuir para essa transformação são:

 

Educação: Promover a educação para a igualdade de gênero desde a infância, desmistificando os papéis tradicionais e incentivando a construção de relações mais justas e equitativas.

Lutas sociais: Fortalecer os movimentos sociais que lutam por direitos iguais para todas as pessoas, combatendo o machismo, o racismo e todas as formas de discriminação.

Representação política: Eleger mais mulheres, especialmente mulheres negras, para cargos de liderança, ampliando a participação feminina na política e na tomada de decisões.

Mudanças culturais: Questionar e desafiar os padrões de comportamento machistas presentes na mídia, na publicidade, na educação, no campo profissional e em outras esferas da vida social.


Construir uma sociedade mais justa e igualitária exige um esforço contínuo e coletivo. É preciso reconhecer e combater as desigualdades de gênero, raça e classe social, trabalhando para criar um mundo onde todas as pessoas tenham as mesmas oportunidades e direitos.

 

Ao promover a consciência sobre a herança negativa do patriarcado e o impacto que ele tem na vida das mulheres, especialmente das mulheres negras, podemos contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos e todas.

 

A Umbanda como Ferramenta de Combate ao Patriarcado e Preservação das Religiões de Matrizes Africanas

 

A Umbanda, como religião de matriz africana, possui uma rica cosmogonia que desafia os pilares do patriarcado. Ao reverenciar orixás femininos como Iansã, Oxum e Nanã, a Umbanda eleva a figura feminina a um lugar de poder e sabedoria, contrapondo-se à visão patriarcal que historicamente subordina as mulheres.


O papel do umbandista nesse contexto é fundamental. Ao praticar a Umbanda, o indivíduo se conecta com esses princípios de igualdade e respeito, internalizando valores que desafiam as hierarquias de gênero. O umbandista pode atuar como agente de transformação social, promovendo a igualdade de gênero dentro e fora dos terreiros.


Algumas formas de atuação do umbandista no combate ao patriarcado e na preservação das religiões de matrizes africanas incluem:


  • Empoderamento feminino: Incentivar a participação ativa das mulheres nos terreiros, valorizando seus conhecimentos e habilidades.
  • Respeito à diversidade: Promover um ambiente inclusivo e acolhedor, onde todas as pessoas se sintam representadas e respeitadas, independentemente de sua orientação sexual, identidade de gênero ou raça.
  • Combate ao racismo e à intolerância religiosa: Defender as religiões de matriz africana, combatendo o racismo e a intolerância religiosa, que historicamente têm sido usados para oprimir e marginalizar as mulheres negras.
  • Educação religiosa: Participar de cursos e palestras sobre as religiões de matriz africana, letramento racial e outros temas que ajudem desmistificando crenças e práticas, e promovendo o respeito à diversidade religiosa.
  • Ativismo social: Participar de movimentos sociais e políticos que lutam por direitos iguais para todas as pessoas, especialmente para as mulheres negras.
  • Cura espiritual: Utilizar os conhecimentos da Umbanda para promover a cura espiritual e emocional, auxiliando as pessoas a superar traumas e construir uma vida mais plena e feliz.


A Umbanda oferece um espaço seguro de resistência e de afirmação da identidade para todas as mulheres, em especial as mulheres negras que carregam a ancestralidade religiosa de seus antepassados. Ao valorizar a ancestralidade africana e a espiritualidade feminina, a Umbanda contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde todas as pessoas possam viver em liberdade e dignidade.


É importante ressaltar que a luta contra o patriarcado é um processo contínuo que exige a participação de todos e todas. Ao integrar os princípios da Umbanda em nossas vidas, podemos contribuir para a transformação da sociedade e para a construção de um futuro mais justo e igualitário.


Uma religião que cultua POMBOGIRA jamais pode ter a figura masculina como seu superior. Na Umbanda a figura masculina e feminina andam juntas em parceria e não uma sobre a outra. Isso vale para energias de Orixás, falanges e relações humanas. Homens e mulheres atuam em prol da comunidade investindo suas energias no crescimento e empoderamento mútuo daquele chão e, portanto, colhendo juntos os frutos desse trabalho. Qualquer chão que pense diferente e coloque o homem sobre a mulher estará mostrando que ali está enraizado fortemente o patriarcado.

 

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