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QUANDO A INTOLERÂNCIA BATE À PORTA DO SUPREMO: A BATALHA JURÍDICA PELO SACRIFÍCIO ANIMAL

Por Eduardo de Oxossi Revisão: Karina Marin Para quem está chegando agora à Umbanda ou para quem tem a MEMÓRIA CURTA, é fundamental compreender que a nossa liberdade de culto nunca foi um presente dos brancos . Ela é fruto de resistência, organização e enfrentamento de estruturas que, ao longo da história, tentaram silenciar as religiões de matriz africana. Um dos episódios mais importantes, silenciosos e RECENTES dessa luta chegou ao Supremo Tribunal Federal e colocou em xeque um fundamento essencial da nossa liberdade religiosa: o direito de realizar sacrifícios rituais de animais em cultos de matriz africana . O caso transformou-se em um julgamento de proporções históricas para saber se a nossa liturgia sobreviveria ou seria criminalizada por via judicial.  Para contextualizar, existe uma lei do Rio Grande do Sul (a Lei estadual 12.131/2004) que reconhece como válida a prática do sacrifício animal em âmbito religioso , e o Ministério Público do Rio Grande do Sul questionou judic...
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FÉ QUE RESISTE AO TEMPO E AO DOGMA: O BRASIL É DE TODOS OS DEUSES, E A NOSSA LIBERDADE NÃO É NEGOCIÁVEL!

  A história da colonização e da escravidão moderna revela como estruturas institucionais e dogmáticas de matiz cristã, especialmente nos períodos colonial e imperial, forneceram justificativas teológicas, morais e legais para a subjugação sistemática de povos não europeus. Através de bulas papais (um documento oficial, decreto ou carta patente emitido pelo Papa, por meio do qual a Igreja Católica toma decisões solenes sobre assuntos de fé, moral, administração eclesiástica, criação de dioceses ou concessão de privilégios), como a Dum Diversas de 1452, a Igreja Católica autorizou formalmente a conquista, subjugação e redução à escravidão de povos considerados infiéis, legitimando a exploração econômica sob o pretexto de uma suposta salvação espiritua l. Em outras palavras, o PAPA no poder político determinava o que poderia ser praticado na fé e é claro, não era interessante manter a fé do outro sobre a dele. Essa teologia da dominação operou como um instrumento de desumanizaçã...

DINHEIRO QUE CARREGA A MORTE NÃO VALE DE NADA

 

TRABALHO DO TUS CABOCLO PENA VERDE E FLECHEIRO DE ARUANDA NO SANTUÁRIO NACIONAL DE UMBANDA (17-10-26)

O sábado passado (17) foi um daqueles dias que ficam gravados na alma e na memória de todos nós do terreiro. Tivemos a honra e a emoção de realizar uma peregrinação ao @santuarionacionaldaumbanda , um solo sagrado onde renovamos nossa fé através da louvação e das oferendas à nossa amada Mãe Oxum, pedindo que suas águas doces abrandem nossos caminhos e tragam a prosperidade e o amor que nos sustentam. Estar naquele espaço de conexão pura é sempre um lembrete da força e da beleza da nossa religião. Dando continuidade aos nossos trabalhos em prol do terreiro e da comunidade que acolhemos, realizamos também o atendimento aos nossos consulentes com uma poderosa gira de esquerda. Foi um momento de intensa atuação espiritual, focado na limpeza, no descarrego e no combate a energias negativas e demandas. Nossos guardiões e espíritos protetores trabalharam incansavelmente para reequilibrar o campo áurico de cada irmão e irmã que buscou auxílio, trazendo o alívio e a proteção indispensáveis par...

POR QUE ACENDEMOS VELAS? - POR EDUARDO DE OXOSSI

No universo da Umbanda e das práticas espirituais, a vela não deve ser compreendida como um simples elemento inanimado ou um mero enfeite de altar, mas sim como um verdadeiro portal de ativação energética e um amplificador das nossas intenções mais profundas. Ela atua como um condensador de força que empodera e potencializa aquilo que pedimos, colocando em movimento correntes invisíveis que respondem diretamente ao foco de quem a acende. Afinal, a vela em si não possui uma essência intrinsecamente boa ou ruim; ela é neutra, funcionando como um espelho neutro que reflete com fidelidade a vibração, o sentimento e o propósito que o médium carrega no momento do ritual. Dessa forma, a qualidade e a direção do que se manifesta através da chama dependem inteiramente da sintonia de quem realiza o ato de fé. Quando alguém acende uma vela movido por sentimentos de rancor, egoísmo ou maldade, a ferramenta sintoniza e ressoa exatamente com essa frequência densa, atraindo e devolvendo aquilo que fo...

VAMOS FALAR DOS FILHOS DE OXUM?

  Os filhos e filhas de Oxum carregam em sua essência as principais virtudes e reflexos da Orixá das águas doces, do ouro, do amor e da fertilidade, sendo reconhecidos tanto no Candomblé quanto na Umbanda por uma personalidade marcante que une extrema delicadeza e uma força interior inabalável. Sob a regência da dona do ouro e do espelho, essas pessoas costumam manifestar uma forte inclinação para a estética, a elegância e o refinamento, refletindo o brilho de sua divindade em suas posturas cotidianas, no cuidado com a imagem pessoal e no apreço por ambientes confortáveis e belos. No que tange à vida social e afetiva, os descendentes de Oxum destacam-se pelo carisma, pela facilidade em cativar as pessoas ao redor e por uma sensualidade natural que lhes confere grande poder de sedução. Gostam de desfrutar dos prazeres que a vida oferece, valorizam a convivência em festas e reuniões e nutrem um profundo apego à família e aos amigos, mostrando-se sempre muito acolhedores, amorosos ...

A UMBANDA ACREDITA EM DEUS? POR EDUARDO DE OXOSSI

  Uma das perguntas mais frequentes que surgem quando alguém começa a conhecer a nossa religião é justamente sobre a presença divina primordial: afinal, a Umbanda acredita em Deus? A resposta para essa questão é um sonoro e absoluto sim. A Umbanda é uma religião essencialmente monoteísta, fundamentada na crença de um princípio criador único, supremo e absoluto. Independentemente da vertente ou da forma como os rituais são conduzidos, a figura de um Deus maior, que rege o universo e todas as forças da natureza, é o alicerce sobre o qual toda a teologia umbandista se sustenta. Para compreendermos a forma como Deus é cultuado em nossos terreiros, precisamos primeiro olhar para a própria essência formadora da Umbanda . Nossa religião é um belíssimo mosaico espiritual, nascido em solo brasileiro a partir do encontro de diversas matrizes religiosas, filosóficas e culturais. Essa pluralidade significa que a maneira como a presença de Deus é compreendida e nomeada vai estar intimament...