Iansã sempre foi o vento que não pede licença para transformar. Conta o itã, registrado pelo olhar e pela sensibilidade de Pierre Verger, que houve um tempo em que Obaluaê , envergonhado das chagas que cobriam seu corpo, vivia isolado e coberto da cabeça aos pés pelas palhas da costa, o xaxará. Ele assistia às festas dos orixás de longe, sem coragem de dançar ou de se aproximar dos outros. Em uma celebração no orô de Ogum, enquanto todos se divertiam, Obaluaê permanecia à margem, tímido e quieto. Foi quando Iansã, senhora dos ventos e das tempestades, percebeu a hesitação do orixá da cura. Sem hesitar, ela se aproximou e começou a dançar ao redor dele com força e graciosidade. No ápice de sua dança, Oyá soprou um vento tão poderoso que levantou todas as palhas que escondiam Obaluaê . Naquele instante, para a surpresa de todos os orixás presentes, as feridas e chagas de Obaluaê se transformaram em pipocas brancas e reluzentes, revelando um corpo jovem, belo e radiante. O vento de ...
O Otá (ou ocutá, do iorubá òkúta) é uma pedra sagrada usada em religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, para fixar a energia de um Orixá. Representa uma das mais antigas e profundas formas de conexão entre o mundo visível/terra (Aiyé) e o plano espiritual (Orun). Longe de ser compreendido como um mero objeto inanimado ou uma representação idólatra, o mineral é concebido como um recipiente natural de Axé, a força vital que permeia a criação. Nas terras iorubás, a escolha da pedra ligava-se intimamente ao elemento de onde ela emergia, seja o leito de um rio sagrado, o topo de uma montanha ou as entranhas da terra, funcionando como a própria condensação da energia do Orixá ou do ancestral ligado àquela força da natureza. Com o passar do tempo, o Otá assumiu o papel central na estruturação dos igbás e assentamentos da religião, principalmente de EXU/POMBOGIRA. Para que a pedra se torne efetivamente um Otá consagrado, ela passa por rituais de d...