Pular para o conteúdo principal

Postagens

ITÃ: OXUM DERROTA OS INIMIGOS DO REINO DE XANGO

  Xangô morava em um grande reino com suas três esposas: Oxum, Obá e Iansã. Certo dia, ao ser ameaçado, o rei precisou partir para a guerra e começou a convocar suas companheiras. Decidiu levar Obá por sua enorme força física, resistência e dotes culinários para alimentar o exército. Convocou também Iansã, por ser ágil, destemida, senhora do vento, do fogo e brilhante com as espadas. Olhando para Oxum, com toda sua graça, vaidade e um aspecto frágil de menina em corpo de mulher, Xangô ordenou que ela ficasse para trás, cuidando do castelo, do povo e de suas concubinas, orientando-a a colocar suas melhores joias para comemorarem quando ele retornasse. O rei partiu com suas amazonas, mas, logo em seguida, o exército inimigo bateu à porta aproveitando que o reino estava desprotegido. Desesperado, o guarda correu até Oxum avisando que todos estavam perdidos. Com total serenidade, a rainha ordenou que mandasse os inimigos entrarem, fossem conduzidos ao salão real e que preparassem o mel...
Postagens recentes

ITÃ: A ÚNICA FLECHA DE OXÓSSI: O DIA EM QUE A PRECISÃO VENCEU O MEDO

Por: Pai Eduardo de Oxossi  Conta o itã, registrado pelo mestre Pierre Verger, que as Iyámi Oxorongá , as grandes mães ancestrais, detentoras de mistérios profundos e temidos enviaram um pássaro gigantesco e malévolo para pousar sobre o palácio do rei de Oyó. A presença daquela ave quebrava a harmonia do reino e trazia a sombra da própria morte. Ninguém conseguia espantá-la. O rei, desesperado, convocou os maiores caçadores da região. O primeiro veio com cem flechas, errou todas e foi castigado. O segundo trouxe duzentas flechas, mas o medo desestabilizou sua mira, e ele também falhou. O terceiro, com trezentas flechas, sucumbiu diante do poder do pássaro. A esperança do reino parecia perdida. Foi quando se apresentou Oxotocanxo, o caçador de uma flecha só. Ele não trazia fartura de munição, mas carregava o silêncio, a concentração e a reverência. Enquanto os outros confiavam na quantidade, ele confiava na conexão. Sabendo do perigo, sua mãe buscou a sabedoria dos babalaôs e fez um...

ITÃ DE OGUM ONIRÊ: O DIA EM QUE O SILÊNCIO CUSTOU CARO

 ✍️ Texto por: Pai Eduardo de Oxóssi 📚 Inspirado nas obras de Pierre Verger. Você conhece a história de quando Ogum destruiu uma cidade por causa do silêncio? Após anos de guerras, Ogum decidiu retornar a Irê, cidade que ele mesmo fundou. Ele voltava cansado, com fome e sede. Ao entrar na aldeia, viu o povo reunido. Esperando ser recebido com festas e honras, ele saudou a todos. Mas ninguém respondeu. Ogum caminhou pelas ruas, pediu água e comida, mas as pessoas o ignoravam, olhando para o chão. O silêncio era absoluto. Sentindo-se profundamente desrespeitado e rejeitado pelo seu próprio povo, Ogum foi tomado por uma fúria avassaladora. Ele sacou sua espada e, num ataque de ira, destruiu a cidade. Pouco depois, seu filho Oni chegou e, horrorizado, explicou o terrível mal-entendido: a aldeia cumpria um voto sagrado de silêncio absoluto naquele dia. Ninguém podia falar. Não era desrespeito a Ogum, era resguardo religioso. Consumido pelo arrependimento e pela vergonha de ter agido po...

ITÃ: O DIA EM QUE NANÃ BANIU O FERRO

Texto do pai Eduardo inspirado em Pierre Verger: No clássico livro “Lendas Africanas dos Orixás”. Na imensidão dos tempos antigos, um conflito de princípios marcou a relação entre duas grandes divindades: Nanã, a anciã da lama primordial, e Ogum, o senhor dos metais, da tecnologia, guerras e da ação. Nanã reinava sobre o território sagrado onde a vida e a morte se encontravam no ciclo perfeito da natureza. Tudo o que nascia da terra à terra voltava, sem pressa. Mas o mundo avançava. Ogum havia descoberto o segredo da metalurgia, forjando o ferro e criando ferramentas que aceleravam os processos, mas que também traziam a rigidez e a violência das armas. Ao ver essa força invadir seus domínios, Nanã sentiu o equilíbrio ancestral ser ameaçado. Para ela, o metal era desrespeitoso com o ritmo natural da vida. Diante disso, a matriarca tomou uma decisão soberana: proibiu o uso de qualquer objeto de ferro dentro do seu reino. Ogum, orgulhoso, a desafiou, questionando como o povo sobreviveria ...

FOTOS COM ALGUNS MOMENTOS DE NOSSAS GIRAS DE CABOCLOS

 

O BANQUETE DA VITÓRIA: POR QUE OFERECEMOS PÃO A OGUM?

 Por: Eduardo de Oxossi T.U.S. Caboclo Pena Verde e Flecheiro de Aruanda Muitas vezes, ao visitarmos um terreiro em dia de festa e asé para Ogum, recebemos um pão bento ou observamos a presença do pão na mesa de oferenda de Ogum, enfeitado com fitas azuis ou vermelha juntamente a outros elementos deste Orixá. Existe um senso comum que tenta explicar esse costume apenas pelo sincretismo com Santo Antônio, mas a verdade guarda uma raiz muito mais profunda, humana e emocionante, que nasce no coração de uma das casas mais tradicionais da nossa matriz africana: A Casa de Oxumaré.   A tradição dos "Pães de Ogum" não nasceu da fartura, mas da fé inabalável de uma mulher extraordinária: Mãe Simplícia. Em 1952, ao assumir a liderança do Axé, ela enfrentava tempos de extrema dificuldade financeira. Mesmo trabalhando arduamente vendendo quitutes, manter a estrutura do terreiro era um desafio diário.   Certo dia, ao cumprir seu ritual matinal de entrega a Exu, Mãe Simplícia...

COMO REAGIR COM A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO TRABALHO?

Enfrentar o preconceito no ambiente de trabalho por causa da nossa fé é uma dor profunda, que toca no âmago da nossa identidade e espiritualidade. Como umbandista, você sabe que nossa religião é pautada no amor, na caridade e no respeito a todos os seres, mas, infelizmente, a intolerância religiosa ainda se manifesta de formas veladas ou explícitas no meio corporativo.  Esse preconceito pode surgir através de piadas de mau gosto, exclusão em grupos sociais, olhares de julgamento ao usar uma guia discreta ou até no impedimento de ascensão na carreira. É fundamental compreender que a sua liberdade de crença não é um favor concedido pela empresa, mas um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, que protege a dignidade da pessoa humana acima de qualquer dogma institucional. No aspecto legal, o ordenamento jurídico brasileiro oferece uma base sólida para a proteção do trabalhador umbandista. A Constituição Federal, em seu Artigo 5º, inciso VI, estabelece que é inviolável ...