Muitas vezes, a resposta para os nossos rituais atuais está guardada na sabedoria dos itãs (as narrativas sagradas que atravessam gerações). O pesquisador e sociólogo Reginaldo Prandi, em sua renomada obra Mitologia dos Orixás (2001), resgata o mito que fundamenta esse preceito litúrgico e nos traz uma lição profunda sobre respeito, impulsividade e reparação. O itã nos conta que, em uma jornada mítica, Airá conduzia o velho Oxalá até o palácio para os festejos. No caminho, ao avistar Oiá preparando o Amalá na pedreira, a natureza vibrante e a conhecida gulodice do Rei de Oyó falaram mais alto. Movido pela pressa e pelo desejo, Xangô correu em direção à comida, negligenciando o amparo ao ancião, o que fez com que Oxalá caísse e se ferisse. O arrependimento foi imediato. Diante da falha, iniciou-se um intenso processo de purificação e pedido de perdão, com o povo trazendo águas e panos brancos para limpar e confortar o grande pai. Oxalá aceitou as desculpas, mas determinou uma puni...
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