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Mostrando postagens de junho, 2026

ITÃ: A ÚNICA FLECHA DE OXÓSSI: O DIA EM QUE A PRECISÃO VENCEU O MEDO

Por: Pai Eduardo de Oxossi  Conta o itã, registrado pelo mestre Pierre Verger, que as Iyámi Oxorongá , as grandes mães ancestrais, detentoras de mistérios profundos e temidos enviaram um pássaro gigantesco e malévolo para pousar sobre o palácio do rei de Oyó. A presença daquela ave quebrava a harmonia do reino e trazia a sombra da própria morte. Ninguém conseguia espantá-la. O rei, desesperado, convocou os maiores caçadores da região. O primeiro veio com cem flechas, errou todas e foi castigado. O segundo trouxe duzentas flechas, mas o medo desestabilizou sua mira, e ele também falhou. O terceiro, com trezentas flechas, sucumbiu diante do poder do pássaro. A esperança do reino parecia perdida. Foi quando se apresentou Oxotocanxo, o caçador de uma flecha só. Ele não trazia fartura de munição, mas carregava o silêncio, a concentração e a reverência. Enquanto os outros confiavam na quantidade, ele confiava na conexão. Sabendo do perigo, sua mãe buscou a sabedoria dos babalaôs e fez um...

ITÃ DE OGUM ONIRÊ: O DIA EM QUE O SILÊNCIO CUSTOU CARO

 ✍️ Texto por: Pai Eduardo de Oxóssi 📚 Inspirado nas obras de Pierre Verger. Você conhece a história de quando Ogum destruiu uma cidade por causa do silêncio? Após anos de guerras, Ogum decidiu retornar a Irê, cidade que ele mesmo fundou. Ele voltava cansado, com fome e sede. Ao entrar na aldeia, viu o povo reunido. Esperando ser recebido com festas e honras, ele saudou a todos. Mas ninguém respondeu. Ogum caminhou pelas ruas, pediu água e comida, mas as pessoas o ignoravam, olhando para o chão. O silêncio era absoluto. Sentindo-se profundamente desrespeitado e rejeitado pelo seu próprio povo, Ogum foi tomado por uma fúria avassaladora. Ele sacou sua espada e, num ataque de ira, destruiu a cidade. Pouco depois, seu filho Oni chegou e, horrorizado, explicou o terrível mal-entendido: a aldeia cumpria um voto sagrado de silêncio absoluto naquele dia. Ninguém podia falar. Não era desrespeito a Ogum, era resguardo religioso. Consumido pelo arrependimento e pela vergonha de ter agido po...

ITÃ: O DIA EM QUE NANÃ BANIU O FERRO

Texto do pai Eduardo inspirado em Pierre Verger: No clássico livro “Lendas Africanas dos Orixás”. Na imensidão dos tempos antigos, um conflito de princípios marcou a relação entre duas grandes divindades: Nanã, a anciã da lama primordial, e Ogum, o senhor dos metais, da tecnologia, guerras e da ação. Nanã reinava sobre o território sagrado onde a vida e a morte se encontravam no ciclo perfeito da natureza. Tudo o que nascia da terra à terra voltava, sem pressa. Mas o mundo avançava. Ogum havia descoberto o segredo da metalurgia, forjando o ferro e criando ferramentas que aceleravam os processos, mas que também traziam a rigidez e a violência das armas. Ao ver essa força invadir seus domínios, Nanã sentiu o equilíbrio ancestral ser ameaçado. Para ela, o metal era desrespeitoso com o ritmo natural da vida. Diante disso, a matriarca tomou uma decisão soberana: proibiu o uso de qualquer objeto de ferro dentro do seu reino. Ogum, orgulhoso, a desafiou, questionando como o povo sobreviveria ...