Por: Pai Eduardo de Oxossi Conta o itã, registrado pelo mestre Pierre Verger, que as Iyámi Oxorongá , as grandes mães ancestrais, detentoras de mistérios profundos e temidos enviaram um pássaro gigantesco e malévolo para pousar sobre o palácio do rei de Oyó. A presença daquela ave quebrava a harmonia do reino e trazia a sombra da própria morte. Ninguém conseguia espantá-la. O rei, desesperado, convocou os maiores caçadores da região. O primeiro veio com cem flechas, errou todas e foi castigado. O segundo trouxe duzentas flechas, mas o medo desestabilizou sua mira, e ele também falhou. O terceiro, com trezentas flechas, sucumbiu diante do poder do pássaro. A esperança do reino parecia perdida. Foi quando se apresentou Oxotocanxo, o caçador de uma flecha só. Ele não trazia fartura de munição, mas carregava o silêncio, a concentração e a reverência. Enquanto os outros confiavam na quantidade, ele confiava na conexão. Sabendo do perigo, sua mãe buscou a sabedoria dos babalaôs e fez um...
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