Iansã sempre foi o vento que não pede licença para transformar. Conta o itã, registrado pelo olhar e pela sensibilidade de Pierre Verger, que houve um tempo em que Obaluaê , envergonhado das chagas que cobriam seu corpo, vivia isolado e coberto da cabeça aos pés pelas palhas da costa, o xaxará. Ele assistia às festas dos orixás de longe, sem coragem de dançar ou de se aproximar dos outros.
Em uma celebração no orô de Ogum, enquanto todos se divertiam, Obaluaê permanecia à margem, tímido e quieto. Foi quando Iansã, senhora dos ventos e das tempestades, percebeu a hesitação do orixá da cura. Sem hesitar, ela se aproximou e começou a dançar ao redor dele com força e graciosidade. No ápice de sua dança, Oyá soprou um vento tão poderoso que levantou todas as palhas que escondiam Obaluaê .
Naquele instante, para a surpresa de todos os orixás presentes, as feridas e chagas de Obaluaê se transformaram em pipocas brancas e reluzentes, revelando um corpo jovem, belo e radiante. O vento de Iansã não apenas removeu o véu que o escondia, mas revelou ao mundo o verdadeiro brilho e o poder de cura que ele carregava dentro de si. A partir daquele momento, Obaluaê e Iansã selaram uma aliança profunda, dividindo o domínio sobre o reino dos mortos e mostrando que o sopro da coragem é capaz de transformar qualquer ferida em luz.
Qual transformação o vento de Oyá precisa soprar na sua vida hoje para revelar a sua verdadeira força? Eparrey yansa, Atoto Obaluae!
Pai Eduardo de Oxossi
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