Conta o itã que, certo dia, Oxalá disfarçado como um velhinho cansado, frágil e maltrapilho caminhava pelas estradas para testar o coração e o caráter daqueles que cruzavam seu caminho.
Muitos passaram por ele com pressa, desviando o olhar e ignorando a presença daquele senhor enfraquecido. Mas Oyá, mesmo sendo o próprio vento, sempre em constante movimento e vinda de intensas batalhas, parou.
Ao ver aquele homem sem rumo, Oyá não hesitou em oferecer sua ajuda. Com toda a paciência que poucos imaginavam que ela tinha, guiou Oxalá durante oito dias e oito noites, atentos a cada passo do caminho, escutando a natureza, os pássaros e o tempo ao redor.
Quando chegaram ao destino, Oxalá rasgou suas vestes maltrapilhas e se revelou em toda a sua luz e majestade branca. Ele olhou para Oyá e disse:
“Muitos passaram por mim, mas só você me enxergou de verdade e me estendeu a mão. A partir de hoje, você será a menina dos meus olhos, a minha íris.”
Foi assim que Oxalá abençoou a Mãe dos Ventos, mostrando que onde está a força impetuosa de Oyá, também habita a sabedoria e a proteção do Pai Maior.
Ela aprendeu com ele a ter calma, e ele encontrou nela o olhar atento que tudo vê.
Pai Eduardo de Oxóssi
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