Pular para o conteúdo principal

DESPACHAR A PORTA - POR EDUARDO DE OXOSSI

 


Dentro das religiões de matrizes Africanas, incluindo a Umbanda, existe um importante ritual chamado de “despachar a porta”. A palavra “Despachar” está associada a mandar embora, enviar, endereçar para outro lugar, portanto, despachar uma porta significa mandar embora as más energias que caminham em direção a ela.

O Ómí Tútú  é um dos muitos fundamentos que temos para esta finalidade e consiste em jogar água fresca no solo à frente da moradia, comércio, propriedade ou terreiro com objetivo de descarregar as energias negativas com o poder das águas.

Esse ritual é conhecido como Ómí Tútú, cuja tradução significa: “água fresca que acalma” ou “água fresca que esfria os caminhos”. O despacho de porta é bem simples e pode ser feito por qualquer pessoa, a qualquer momento e sempre que necessário.

O fundamento para a realização do Ómí Tútú propõe esfriar o caminho de quem chega, esfriar o caminho de quem vai, abrir caminhos para uma nova energia e mais agradável, sensível, suave e mostrar aos convidados e visitantes que são bem-vindos diante do senhor da tronqueira (Exu).

Inclusive em alguns terreiros também se joga um pouco de pinga à porta para que Exu corte os males e demandas, ou ainda, um pouco de farinha de mandioca com água e outro punhado de farinha de mandioca com dendê para que o povo da rua fique de centinela, sendo estes últimos complementares ao Ómí Tútú no sentido de garantir uma porta protegida de perigos, infortúnios, doenças e problemas.

 

Podemos fazer no início da manhã para que tenhamos um bom dia.

Podemos fazer ao longo do dia caso precisemos esfriar uma situação que não está agradável.

Podemos fazer ao anoitecer para limpar as energias acumuladas durante o dia.

 

COMO DESPACHAR A PORTA?

Pegue um punhado de água fresca e jogue para direita e esquerda na frente da sua porta dizendo “Ómí Tútú”, peça a Exu e ao povo da rua para esfriar os caminhos e levar para bem longe a maldade, a doença, o perigo, os mal intencionados, os problemas e afins.


MODERNIDADES E ADAPTAÇÃO DA SOCIEDADE


Com o avanço dos prédios, muitos religiosos do asé passam por dificuldades em despachar a sua porta na residência e é pouco conveniente que este morador desça à frente do prédio para despachar a portaria. Neste sentido, temos que repensar em como levaremos nossas práticas para esta selva de pedras. Não são apenas as casas que ganham formato de prédios, mas as empresas, os comércios (shoppings, galerias, outros) e afins. 

Ajuste com consciência e responsabilidade o seu rito diante da sua realidade, no caso do apartamento, talvez realizar o Ómí Tútú com um punhado de água, ou seja, molhar os dedos na quartinha ou recipiente e salpicar no hall a frente da sua porta. 

A Água não vai ser jogada em abundância como na rua, mas a fé no senhor da porteira para esfriar os caminhos da porta será a mesma. Na dúvida sobre como proceder limpando sua porta, consulte o guia ou Sacerdote de sua confiança.   


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NOMES DE ERES NA UMBANDA

INTRODUÇÃO A linha de erês de Umbanda é diferente do Candomblé. O Candomblé segue nações (Ketu, Gêge, Nago) e como tal, sua doutrina antecede a Umbanda (religião criada posteriormente). No Candomblé a linha de crianças é tratada com forte influência e fundamento dos Orixás "Ibejis" e o nome do guia de trabalho geralmente acompanha o Orixá de cabeça do médium, ou seja, para um filho de Oxossi, o erê pode ser chamado de flechinha, para um êre de filha de Oxum, pode ser por exemplo, a erê cachoerinha e assim por diante.  A Umbanda é uma religião 100% brasileira que se utiliza de conceitos de outras religiões como as religiões indígenas, o espiritismo, o catolicismo, etc. Como tal a sua linha de erês é regida fortemente pela figura de Cosme, Damião e Doum.  Podemos ter nomes oriundos do catolicismo (João, Maria, Gustavo, Pedro, Matheus, etc), nomes das religiões indígenas (flechinha, caboclinho do mato, caboclo mirim, etc), de Matriz Africana / Ligada diretamente ao Orixá regente...

TRABALHOS COM CABEÇA DE CERA NA UMBANDA

INTRODUÇÃO A Cabeça é o lugar mais sagrado para o Umbandista. É ali que vive o seu Ori, sua coroa, sua mente, seu cérebro, o início dos seus chacras, etc. Trabalhos com cabeça de cera devem ser feitos por pessoas experientes e fundamentadas. Na dúvida sobre o que ou como fazer, sempre consulte o pai de santo de sua confiança.  CABEÇA DE CERA PARA OXUM: PEDIDOS E PROMESSAS Oxum é muito conhecida por receber cabeças de cera em seus trabalhos, seja ele para amor (embora a Umbanda em si seja contra trabalhos de amarrações) ou para outros pedidos.  Em São Paulo está localizado o Santuário de Aparecida do Norte. Lá é recebido diariamente muitas peças de cera em pedido ou agradecimento de graças alcançadas por seus fiéis.  Podemos fazer cabeça de cera para cura, para melhorar os pensamentos, clarear as ideias, etc.  CABEÇA DE CERA COM YEMANJÁ: CALMA, LIMPEZA E DISCERNIMENTO.  Yemanjá é a mãe de todos. Este trabalho é indicado para acalmar...

MAGIA DE TRANCA RUA DAS ALMAS PARA QUEBRAR DEMANDA

Nas religiões espíritas acreditamos que as contingências a nossa volta são movimentadas por energias (tanto positivas quanto negativas). Estas energias influenciam de certa forma sobre o nosso comportamento, personalidade, hábitos, desejos, motivações, estado de humor e sentimentos de modo geral. Esta energia pode ser atraída como sub produto do seu comportamento e/ou como sub produto do comportamento alheio. Podem ser atraídas e demandadas inocentemente (sem intenção) ou intencionalmente. Independente de ser ao acaso ou merecido, a religião espírita auxilia o consultente, os filhos e as pessoas a atuar com este cenário.  No Kardecismo, por exemplo, as pessoas são geralmente cuidadas com passes e orações. Na Umbanda, além dos passes e orações é comum encontrarmos o uso de velas, banhos, entregas, defumações e semelhantes. No Candomblé o acumulo destas energias do nascimento à morte resultam em “Odús” (singelamente traduzido como “caminhos”), diz-se que as energias atrapalham...