Pular para o conteúdo principal

AS TRÊS PENEIRAS DE XANGO

AS TRÊS PENEIRAS DE XANGO



Xango é o Orixá que rege a justiça, o correto, o moral, o justo. Conta-se que certa vez um Egum procurou-lhe com intuito de puxar o saco e agradar Xango, almejava contar-lhe sobre uma informação que julgava de seu interesse:

☺ Quero lhe contar uma coisa a respeito de Ogum!
☻ Espera um momento – disse Xango – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.

☺Três peneiras? Nunca ouvi falar, disse o Egum. 
☻ É simples, elas vão peneirar aquilo que você vai me dizer. Vou lhe ensinar para que sempre esteja em dia com o que é Justo:

A primeira é a Peneira da VERDADE. Você tem certeza que isso que queres me dizer é verdade?

☺ Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
☻ A segunda peneira é a da BONDADE. A intenção de você passar esta informação adiante beneficia apenas a mim ou a pessoa ausente (Ogum) também?

☺ Envergonhado, o Egum respondeu: Só a você...
☻ A terceira peneira é a da NECESSIDADE. Pense bem se é necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante. Vai resolver alguma coisa? Vai ajudar Ogum? Vai melhorar alguma coisa?

☺ Necessário? Na verdade, não.
☻ Então, disse-lhe Xango, se o que você quer me contar não é verdadeiro, nem bom, nem necessário, então é melhor que o guarde apenas para ti.

Assim, da próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o ao crivo das Três Peneiras: Verdade, Bondade, Necessidade, antes de obedecer ao impulso do EGUN de passá-lo adiante, porque:

Pessoas inteligentes falam sobre idéias;
Pessoas comuns falam sobre coisas;
Pessoas mesquinhas falam sobre pessoas.

Ao querer corrigir o outro, dedique mais tempo corrigindo a si mesmo. As sete linhas de Umbanda agradecem o esforço para evolução.  

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

NOMES DE ERES NA UMBANDA

INTRODUÇÃO A linha de erês de Umbanda é diferente do Candomblé. O Candomblé segue nações (Ketu, Gêge, Nago) e como tal, sua doutrina antecede a Umbanda (religião criada posteriormente). No Candomblé a linha de crianças é tratada com forte influência e fundamento dos Orixás "Ibejis" e o nome do guia de trabalho geralmente acompanha o Orixá de cabeça do médium, ou seja, para um filho de Oxossi, o erê pode ser chamado de flechinha, para um êre de filha de Oxum, pode ser por exemplo, a erê cachoerinha e assim por diante.  A Umbanda é uma religião 100% brasileira que se utiliza de conceitos de outras religiões como as religiões indígenas, o espiritismo, o catolicismo, etc. Como tal a sua linha de erês é regida fortemente pela figura de Cosme, Damião e Doum.  Podemos ter nomes oriundos do catolicismo (João, Maria, Gustavo, Pedro, Matheus, etc), nomes das religiões indígenas (flechinha, caboclinho do mato, caboclo mirim, etc), de Matriz Africana / Ligada diretamente ao Orixá regente...

MAGIA DE TRANCA RUA DAS ALMAS PARA QUEBRAR DEMANDA

Nas religiões espíritas acreditamos que as contingências a nossa volta são movimentadas por energias (tanto positivas quanto negativas). Estas energias influenciam de certa forma sobre o nosso comportamento, personalidade, hábitos, desejos, motivações, estado de humor e sentimentos de modo geral. Esta energia pode ser atraída como sub produto do seu comportamento e/ou como sub produto do comportamento alheio. Podem ser atraídas e demandadas inocentemente (sem intenção) ou intencionalmente. Independente de ser ao acaso ou merecido, a religião espírita auxilia o consultente, os filhos e as pessoas a atuar com este cenário.  No Kardecismo, por exemplo, as pessoas são geralmente cuidadas com passes e orações. Na Umbanda, além dos passes e orações é comum encontrarmos o uso de velas, banhos, entregas, defumações e semelhantes. No Candomblé o acumulo destas energias do nascimento à morte resultam em “Odús” (singelamente traduzido como “caminhos”), diz-se que as energias atrapalham...

EXU SETE PUNHAIS - POR EDUARDO DE OXOSSI

Por Eduardo de Oxossi  Blog Baiano Juvenal  Cantemos juntos: "Sem Exu não se pode fazer nada... Exu é o homem das 7 encruzilhadas... 7 facas bem cruzadas... em cima de uma mesa... Saravá Sete Facadas, o homem da Magia Negra." A simbologia do punhal O punhal é uma arma branca de uso milenar, com registros que antecedem o período cristão. Caracteriza-se por uma lâmina curta, estreita e cortante, muitas vezes com um cabo em forma de cruz. Durante as guerras medievais, seu uso se intensificou, especialmente no Império Romano, onde complementava o gládio . Com o passar dos séculos, tornou-se uma peça-chave da Europa medieval, acompanhando a espada em combates. No Brasil, a história do punhal sofreu adaptações regionais. No Sul e no sertão, recebeu o nome de estilete , sendo utilizado também como espeto no pampa gaúcho. Junto à adaga e ao sabre, o punhal desempenhou papel importante entre os farroupilhas , sendo usado tanto em batalhas quanto no preparo e no serviço do ch...