Xangô morava em um grande reino com suas três esposas: Oxum, Obá e Iansã. Certo dia, ao ser ameaçado, o rei precisou partir para a guerra e começou a convocar suas companheiras.
Decidiu levar Obá por sua enorme força física, resistência e dotes culinários para alimentar o exército. Convocou também Iansã, por ser ágil, destemida, senhora do vento, do fogo e brilhante com as espadas.
Olhando para Oxum, com toda sua graça, vaidade e um aspecto frágil de menina em corpo de mulher, Xangô ordenou que ela ficasse para trás, cuidando do castelo, do povo e de suas concubinas, orientando-a a colocar suas melhores joias para comemorarem quando ele retornasse.
O rei partiu com suas amazonas, mas, logo em seguida, o exército inimigo bateu à porta aproveitando que o reino estava desprotegido.
Desesperado, o guarda correu até Oxum avisando que todos estavam perdidos. Com total serenidade, a rainha ordenou que mandasse os inimigos entrarem, fossem conduzidos ao salão real e que preparassem o melhor banquete de suas vidas. Sem compreender a estratégia, o guarda obedeceu.
Os adversários entraram, comeram, beberam e dançaram. O que eles não sabiam é que Oxum e suas feiticeiras Iamis haviam colocado um poderoso veneno na comida e na bebida, além de enfeitiçá-los com uma dança sensual.
Quando Xangô retornou da guerra e entrou no salão, encontrou todo o exército inimigo morto no chão. Lá estava Oxum, vestida com suas joias, sorrindo calmamente e perguntando: “Por que demorou, meu Rei?”.
Moral da história: Oxum não carrega apenas beleza, ela carrega o mistério do feitiço e da inteligência sem esforço. Sem sujar as mãos diretamente em um campo de batalha, ela derrotou todo um exército com uma única e estratégica ação. Jamais subestime Oxum.
Ela pode ser a bela do reino, mas quando seu instinto de defesa é ativado, sabe se proteger como nenhuma outra guerreira.
Texto de Pai Eduardo de Oxóssi



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