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A HISTÓRIA DO EXU MIRIM CALUNGUINHA - POR JULIANO DE XANGO

Em Maio de 2020, recebemos no Instagram Juliano de Xango que abordou os fundamentos teórico da linha de Exu Mirim e nos abençoou dividindo a história do seu Exu Mirim Calunguinha. Juliano autorizou que a história dele fosse dividida com vocês, pois muita gente tem curiosidade sobre histórias de falange e nesse tema, cada um tem a sua de acordo com a relação com o seu guia. 

Vamos conhecer a do Exu Mirim do Juliano? Boa Leitura! 


EXU MIRIM CALUNGUINHA

Minha primeira existência foi próximo ao espirito de luz ter subido ao plano superior, vivi na Persa Antiga, próximo a Mesopotâmia, servi os exércitos do Marajá nas suas conquistas. Com o tempo, reuni uma série de homens de confiança, onde iniciei uma empreita própria, onde o saque e lutas eram mais vantajosos que lutas territoriais constantes. Fiz da morte uma amiga e aliada, pelo menos até o momento em que ela se voltou contra mim.



Após um grave ferimento a um palmo do coração, que viera de um dos homens de tanta confiança, tombei em combate, ainda não coberto pela morte, senti meu corpo na pira e deixado para trás, o cheiro, o som das chamas, a dor, tudo se passou por mim, mas o pior viria a seguir.

Minha queda no umbral sofri por tempo indeterminado, até em suplica pedir auxílio por uma nova oportunidade, agraciado fui tratado e agraciado a uma nova existência.

Voltei em um dos subúrbios de Londres, a peste negra assolava a cidade, perdi os pais ainda pequeno e sozinho me uni a um grupo de garotos que também perderam os pais para a peste. Com medo dos reformatórios e internatos, fugimos.

Nestas situações eu não tinha escolha, precisava roubar, furtar e poucas e ainda indignas vezes matar. Dentro desta vida me deprimi, vez que sentia que minha escolha era errada, meus atos eram errados, mas o que fazer?

Em uma das vezes os garotos maiores implicaram comigo e fizeram que eu roubasse um homem, próximo ao porto junto a linha férrea. Cheio de raiva e culpa, fui. Mas o homem já sabia e durante o ato cai na linha, batendo a cabeça e caindo nas águas.

Novamente no umbral, não mais era o garoto, novamente eu era o persa que morreu traído. O Sr. Caveira diz que isso deve-se ao fato de não ter aceitado as falhas da última vida. Mas, voltando ao umbral, vaguei, sofri, açoitado pelos demônios de minha alma, até que enquanto me escondia dos dragões o vi, uma luz forte e intensa, que me deu esperança. Cai aos seus pés implorando ajuda e auxílio, gastei o que me restava naquele ato e desacordei.

Despertei em uma estrutura com forte luz natural, com aquele ser ao meu lado, ele me ajudara, clamei mais uma chance. O mesmo me disse que pensaria, pois precisava falar com um homem e isto era inadiável. Saiu da sala e o vi cumprimentar um homem de cabelos calvos e roupas longas, depois me explicará que se tratava de um frei, acho que este é o nome. E em resposta ao meu pedido, ele me disse que me ajudaria e isso custaria uma dedicação minha e que deveria seguir o que ele dizia sem oposições. Com medo e desespero, aceitei. Pela primeira vez vi um esboço de sorriso, ele posicionou uma das mãos no alto da minha cabeça e outra no centro do meu peito espalmada e disse:

“Vou suprimir seus chacras para que sua natureza violenta seja contida, você será parte da inocência deturbada, oposta, será responsável por dissipar energias e injustiças, será o aliado da morte, a faca que corta o fio da vida, da doença, do erro. Você será a intenção, pois essa que o trouxe a mim para uma mudança, você será o Calunguinha, mas tolo aquele que o subestimar.”

Daquele dia em diante auxiliei Sr. Caveira, realizei coisas péssimas, mas junto ao Sr. Caveira achei o meu lugar, atingi minha mudança porque tive a intenção de mudar, a intenção de dar o auxílio. Hoje sou a intenção, o caminho dos que crê em mim. Já conquistei a minha luz, mas mirim eu sou, afinal todos tem o seu lugar e o meu é aqui.”

Lembrando que não estamos aqui para discutir, defender ou desmerecer as outras histórias de exu Mirim, cada guia possui seus mistérios e suas particularidades, esta é apenas mais uma história para ilustrar aos umbandistas que interessam-se pelos mistérios que esta linha trás.


Comentários

  1. Quando eu era pequena mais ou menos uns 10 ou 12 anos acordei no meio da noite querendo ir ao banheiro chamei meu irmão mas ele não acordou fiquei com muita raiva e quando olhei o ele na escuridão p chamar vi um garoto que mais parecia um demônio,cabelos muito amarelos ,olhos como fogo sorria e olhava p mim, fiquei com tanto medo que gritei minha mãe,hj sou umbandista sabia que tinha um mirim mas nunca recebi e não sabia seu nome derrepente me veio a cabeça calunguinha e eu nem sabia que existia um mirim com esse nome,mas meu guardião é o senhor caveira e essa foto se parece muito com o que eu vi na infância ! Uma felicidade tão grande invadiu meu peito salve toda a calunga 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

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