Pular para o conteúdo principal

A LINHA DE CABOCLOS DAS MATAS

Texto do Blog Baiano Juvenal - mantenha a referência!

Autor: Eduardo de Oxossi




A Linha de caboclo das matas acolhe espíritos de diversos seres oriundos de povos originários ligados à arquétipos de Caboclos, Caciques, Pajés, Curandeiros, Xamãs e outros papeis característicos de culturas, tribos e aldeias, ou seja, característicos das comunidades que já existiam em uma determinada terra, região e território antes da colonização do homem branco.


 

Durante muito tempo da história, inclusive ensinado nas escolas, o homem branco se referiu aos povos originários como “índios” na tentativa de rotulá-los como primitivos e atrasados em relação a comunidades brancas.

 

Hoje em dia, com o avanço da informação já se tem um entendimento diferente de antigamente, em outras palavras, já se entende que um povo não tem direito de escravização e colonização sobre o outro. Quem é a nação A para referir-se à nação B como atrasada? Atrasada para quem? Quem determina estes parâmetros?

 

Troca-se então os ultrapassados termos “Índios e indígenas” por “povos originários”. Na Umbanda a linha de caboclos das matas manifesta os espíritos dos povos originários, com isso, traz consigo elementos chocalhos, arco e flecha, machadinhas, lanças, pedras, cumbucas, cuias, elementos artesanais de barro e palha, penas de animais, além do forte presente do uso da natureza (fases da lua, uso de ervas, frutas, árvores, águas, ar, terras, fogo e afins).

 

Os caboclos são espíritos mais maduros, assim como associamos o erê a uma criança e o preto velho a um idoso, podemos associá-lo caboclo a um adulto. O caboclo manifesta danças, brados, trejeitos que são usados na gira para transmutar e movimentar energias, seja cortando demandas, seja em prol da abertura de caminhos, proteção e cura.

 

Trabalhar com a linha de caboclos é trazer para si toda essência de povos que vieram antes de nós, que viveram na terra antes de nós abrindo caminhos para sermos quem somos hoje.

 

Trabalhar com caboclos é trazer toda força da natureza, da fauna, da flora, da magia das florestas, dos rios, das cachoeiras, das pedreiras, dos campos para a gira.     

 

NOME DE CABOCLOS




- Caboclo (Oxossi) Flecheiro (Oxossi) de Aruanda (Oxalá)

- Caboclo Pena (Oxossi) Verde (Oxossi);

- Caboclo Pena (Oxossi) Azul (Yemanjá no claro, Ogum no marinho)

- Caboclo Pena (Oxossi) Roxa (Nanã na tonalidade escura e Obaluaê no claro)

- Caboclo Pena (Oxossi) Branca (Oxalá);

- Caboclo Pena (Oxossi) Dourada (Oxum);

- Caboclo Pena (Oxossi)Vermelha (Yansã e/ou Ogum);

- Caboclo (Oxossi) Tupinamba (Tradução tupi para uma tripo com grande influencia no plantio e na agricultura, logo, Oxossi);

- Caboclo (Oxossi) Cobra (Oxossi) Coral (Geralmente Vermelho em Yansã e Marrom em Xango);

- Cabocla (Oxossi) Jurema (Árvore, bebida e altar sagrado, logo, Oxalá, ligado ao sagrado, ao divino);

- Cabocla (Oxossi) Jupira (Traduz qualquer erva alimenta, logo Oxossi);

- Cabocla (Oxossi) Jandira (Ligado a produção pecuária. Tanto é que a cidade de Jandira é referencia na produção de mel, logo ligado a Oxum e Oxossi);

- Caboclo (Oxossi) Sete (Sete linhas) Flechas (Oxossi no sentido simbólico e Ogum e Yansã no sentido de direção);

- Caboclo (Oxossi) Ubirajara (senhor das florestas, logo, Oxossi);

- Caboclo (Oxossi) Araribóia (traduz como uma espécia de cobra, veveno, cura, pode estar ligado também a feitiços e Obaluaê);

- Caboclo (Oxossi) das Sete (sete linhas) Cachoeiras (Xango e Oxum)

- Cabocla (Oxossi) do vento (Yansã);

- Cabocla (Oxossi) do rio (Oxum e Nanã);

- Cabocla (Oxossi) estrela do mar (Yemanjá);

- Cabocla (Oxossi) Ibotirama (Traduz campos floridos, pode ser Ibeji, Oxum, Oxalá, etc);

 

PONTOS RISCADOS DE CABOCLOS

 

O ponto riscado geralmente acompanha o nome do guia e seu mistério, mas é comum encontrarmos:

 

- Arco e flecha

- Apenas flechas

- Estrelas

- Sol e lua

- Triângulos

- Chuva

- Desenho de folhas, plantas ou árvores

- Machadinhas e instrumentos indígenas

- Desenhos de ondas (no caso de caboclos das águas)

- Desenho de montanhas (no caso dos caboclos ligados a Xango)

- Laços no caso de boiadeiros que foram doutrinados a descer na linha de caboclos

- Etc

  

CARACTERÍSTICAS DA LINHA DE CABOCLOS



Orixá regente: Majoritariamente Oxossi, sincretismo de São Sebastião. Todavia, há de se considerar que conforme o mistério do seu nome, ele pode trabalhar em campos cruzados. 

Dia da Semana: Quinta-feira

Saudação: Okê Caboclo

Cores: Tons de verde folha, variações conforme campo de atuação e Orixá para qual atua.

Comida: Frutas em geral, grãos cozidos (feijão, milho, arroz, canjica, etc), raízes cozidas/assadas (mandioca, inhame, cará, outros).

Bebidas: Cervejas clara, vinho seco/suave escuro, chás, sucos, etc.

Ervas e elementos de banho: Cipó Caboclo, samambaia, guiné, açoita cavalo, hortelã, folha de pitanga, caboclos aceitam ervas em geral.

Verbos: Expandir, caçar, pegar, alcançar, vencer, chegar, derrotar, observar, escapar, soltar, prosperar, empregar, alimentar, desobstruir, ensinar, aumentar, empoderar, agregar, potencializar, direcionar, organizar, etc .

Elementos: Machadinhas, arco e flecha, pedras, penas, balaios, cuias, cumbucas, lanças, dentes de animais, etc.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NOMES DE ERES NA UMBANDA

INTRODUÇÃO A linha de erês de Umbanda é diferente do Candomblé. O Candomblé segue nações (Ketu, Gêge, Nago) e como tal, sua doutrina antecede a Umbanda (religião criada posteriormente). No Candomblé a linha de crianças é tratada com forte influência e fundamento dos Orixás "Ibejis" e o nome do guia de trabalho geralmente acompanha o Orixá de cabeça do médium, ou seja, para um filho de Oxossi, o erê pode ser chamado de flechinha, para um êre de filha de Oxum, pode ser por exemplo, a erê cachoerinha e assim por diante.  A Umbanda é uma religião 100% brasileira que se utiliza de conceitos de outras religiões como as religiões indígenas, o espiritismo, o catolicismo, etc. Como tal a sua linha de erês é regida fortemente pela figura de Cosme, Damião e Doum.  Podemos ter nomes oriundos do catolicismo (João, Maria, Gustavo, Pedro, Matheus, etc), nomes das religiões indígenas (flechinha, caboclinho do mato, caboclo mirim, etc), de Matriz Africana / Ligada diretamente ao Orixá regente...

MAGIA DE TRANCA RUA DAS ALMAS PARA QUEBRAR DEMANDA

Nas religiões espíritas acreditamos que as contingências a nossa volta são movimentadas por energias (tanto positivas quanto negativas). Estas energias influenciam de certa forma sobre o nosso comportamento, personalidade, hábitos, desejos, motivações, estado de humor e sentimentos de modo geral. Esta energia pode ser atraída como sub produto do seu comportamento e/ou como sub produto do comportamento alheio. Podem ser atraídas e demandadas inocentemente (sem intenção) ou intencionalmente. Independente de ser ao acaso ou merecido, a religião espírita auxilia o consultente, os filhos e as pessoas a atuar com este cenário.  No Kardecismo, por exemplo, as pessoas são geralmente cuidadas com passes e orações. Na Umbanda, além dos passes e orações é comum encontrarmos o uso de velas, banhos, entregas, defumações e semelhantes. No Candomblé o acumulo destas energias do nascimento à morte resultam em “Odús” (singelamente traduzido como “caminhos”), diz-se que as energias atrapalham...

EXU SETE PUNHAIS - POR EDUARDO DE OXOSSI

Por Eduardo de Oxossi  Blog Baiano Juvenal  Cantemos juntos: "Sem Exu não se pode fazer nada... Exu é o homem das 7 encruzilhadas... 7 facas bem cruzadas... em cima de uma mesa... Saravá Sete Facadas, o homem da Magia Negra." A simbologia do punhal O punhal é uma arma branca de uso milenar, com registros que antecedem o período cristão. Caracteriza-se por uma lâmina curta, estreita e cortante, muitas vezes com um cabo em forma de cruz. Durante as guerras medievais, seu uso se intensificou, especialmente no Império Romano, onde complementava o gládio . Com o passar dos séculos, tornou-se uma peça-chave da Europa medieval, acompanhando a espada em combates. No Brasil, a história do punhal sofreu adaptações regionais. No Sul e no sertão, recebeu o nome de estilete , sendo utilizado também como espeto no pampa gaúcho. Junto à adaga e ao sabre, o punhal desempenhou papel importante entre os farroupilhas , sendo usado tanto em batalhas quanto no preparo e no serviço do ch...