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ÓRGÃOS E INSTITUIÇÕES DE FOMENTO À RELIGIÃO UMBANDISTA

Vamos imaginar que você visitou a assistência de um terreiro, descobriu que tem mediunidade e quando se percebeu, já estava atuando como médium de passe durante alguns anos. Ou ainda, vamos imaginar diferente, vamos imaginar que você é dirigente espiritual de algum terreiro. Imaginou? Pois bem, quero chamar a atenção do leitor para dizer que temos 27 estados brasileiros, 5.570 cidades (até o IBGE 2013), 91.198 bairros (Até o IBGE de 2013). Imagine o mínimo de um terreiro de Umbanda ou Candomblé por bairro, o que dá 91.198 centros espíritas. Imagine que cada centro tenha em média 10 pessoas (com margem de erro para mais ou para menos) 91.198 centros x 10 pessoas chegaríamos ao número mínimo de 911.980 Umbandistas no país (quase 1 milhão de pessoas). 

Imagine que a Umbanda fosse uma empresa, como você faria para gerir 1 milhão de pessoas? Como faria para que os fundamentos de raiz de nossos Orixás fosse passado a 1 milhão de pessoas? Como faria para desenvolver e acompanhar a prática de 1 milhão de pessoas? Como você fiscalizaria a doutrina e os procedimentos da religião a 1 milhão de pessoas? Sim! Complicado! Para esta e outras questões que foram sendo criados órgãos de apoio, órgãos de fiscalização, órgãos de fomento e sustentação da religião no país. Certamente somos muito mais do que 1 milhão de Umbandistas, Candomblecistas, Quimbandistas, Kimbandistas, Catimbozeiros e afins.  

Muitos médiuns passam anos na religião olhando para o próprio umbigo, para o próprio terreiro achando que existem na religião sozinhos, isolados e que são os donos da verdade. Esquecem-se de que vivem em um mundo globalizado, em um país com diferentes culturas, com diferentes formas de pensar, com diferentes doutrinas, mas com uma coisa em comum: todos louvam os orixás e as forças da natureza. Este artigo traz algumas instituições importantes que o médium de Umbanda (independente da posição que ocupa) deve (ou deveria) acompanhar em termos de leitura de artigos, eventos, palestras, movimento político da religião, etc.

Foi-se o tempo em que os médiuns eram desenvolvidos apenas com a intuição de seus dirigentes. Com o passar do tempo, a nossa religião foi ganhando novos médiuns, novos líderes, novas missões do plano espiritual (um grande exemplo foi a missão do Pai Rubens Saraceni, entre outras figuras importantes na evolução e desdobramento de nossa religião). Um terreiro comprometido com o plano espiritual emite esforços além dos muros do centro/templo, ou seja, eles se envolvem em trabalhos comunitários, eventos que promovem a religião e desmistificam interpretações errôneas sobre o que é ser um Umbandista. Nosso papel de centro, de terreiro e de médium não se limite ao consulente.

Temos um grande papel junto a sociedade, nem que seja um micropapel apenas para com o bairro onde nos propormos a atuar. Se cada terreiro fizer a sua parte teremos mais de 90.000 bairros (IBGE2013) amparados espiritualmente. Não precisaremos querer ser mais do que o irmão do lado. Cada terreiro fazendo a sua parte em prol dos seres humanos que nos procuram. Vamos então conhecer o que temos além dos muros do terreiro?  

FTU – FACULDADE DE TEOLOGIA COM ÊNFASE EM RELIGIÕES AFRO – BRASILEIRAS



A FTU – Faculdade de teologia com ênfase em religiões Afro é uma Universidade que ensina a teologia de religiões Afro. Está localizada na Avenida Santa Catarina, nº 400, no bairro da Vila Santa Catarina em São Paulo/SP. Atualmente ela oferece cursos de Graduação em teologia, pós graduação em “Teologia de Tradição Oral- Memória, identidade e cultura das religiões afro- brasileiras” e cursos de extensão universitária em ervas, orixás, etc.

Antes da criação de uma faculdade específica para isso, a USP – UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO E A PUC – PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA, ambas com forte núcleo de estudos teológicos já se demonstravam pioneiras no estudo das religiões Afro e todo o universo que elas representam. Fazer a graduação e/ou pós graduação em teologia Umbandista é para quem quer se tornar um pesquisador, um professor e um cientista em prol da Umbanda.

Descobrir as propriedades medicinais de ervas e novas ervas, descobrir a história, lendas e contos dos Orixás, a geografia Umbandista (como ela foi se instalando e se ramificando no país? Porque no RJ temos uma força maior do que em outro determinado estado, porque surgiu o Umbandonblé? Porque o sincretismo religioso se divide e se diverge entre alguns estados, etc).

Umbanda não é “achismo”, é estudo. Quem fala em “achismo” é leigo e está contribuindo para que sua religião seja mau vista perante a sociedade. É preciso ter fundamento do que se fala ou ter a humildade de dizer “isso eu não sei”. A Faculdade já formou mais de 100 pessoas nestes cursos que estão por aí Brasil a dentro tentando ensinar uma boa teoria de Umbanda isenta de “achismo” e apoiada dentro de um rigor científico socialmente aceito.

Os espíritas do passado não tinham Faculdades a sua disposição, agora elas existem. Cabe ao médium conhecê-los.

Conheça mais da faculdade em:



FUCESP – FEDERAÇÃO DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DO ESTADO DE SÃO PAULO




Para organizar estes mais de 90.000 terreiros (média) cada estado criou a sua “federação”. Ela pode ser municipal, estadual e/ou mista (dependendo do tamanho da população que ela rege e representa). A FUCESP fica localizada na Rua Manoel Coelho, 500 - 12º andar - sala 1.210 - cep: 09510-101 - São Caetano do Sul - SP.

As federações atuam com assessoria jurídica, assessoria sobre julgamento de atos e casos, organização de eventos da categoria, fiscalização, emissão de documentos de regulamentação da religião, acompanhamento da propagação de centros e novos centros, etc. Por isso a importância de afiliar-se a uma federação. Nenhum terreiro pode abrir suas portas sem estar devidamente afiliado a algum tipo de associação. Seria o mesmo que um médico exercer a profissão sem o CRM (Registro no Conselho regional de medicina).

Ganhar o reconhecimento, o registro e a afiliação é poder “bater as duas mãos no peito e dizer”: me aceitem ou não, meu terreiro está devidamente regularizado e pode abrir suas portas para atuação local.

Os espíritas do passado não tinha tantas Federações a disposição, agora eles existem. Cabe ao médium conhecê-los.

Conheça mais em:



SANTUÁRIO DOS ORIXÁS DO GRANDE ABC – SANTO ANDRÉ


Objetivando oferecer um espaço próprio para obrigações de santo, entrega, giras e demais rituais oriundos da religião, a FEDERAÇÃO UMBANDISTA DO GRANDE ABC criou e é responsável pela gestão do “Santuário dos Orixás” que fica na estrada do montanhão s/n em Santo André.

Outros santuários como: Nazaré Paulista, sítios espalhados pelo Brasil, santuários estaduais e afins estão a disposição dos Umbandistas para trabalhos nas matas, nas cachoeiras, encruzilhadas, cruzeiro e afins de modo que ele não precise se indispor a fazê-los em vias públicas e/ou sob receio contra sua própria segurança e expressão de sua fé.

Os espíritas do passado não tinham tantos santuários a sua disposição, agora eles existem. Cabe ao médium conhecê-los.

Conheça mais em: 



ENCONTRO E ESCOLAS DE CURIMBAS



No Brasil todo também cresceu o número de escola de curimbas e formação de Ogans. Com a criação destas instituições educacionais, a arte de bater no coro passou a ganhar técnica, fundamento e didática. O que antes era passado somente através de observação (“olha a e aprende”) ou já vinha como “Dom” (Ninguém ensinou, e a pessoa já tocava) agora pode e é passado a nova geração de Ogans com uma base teórica de pontos cantados, história da Umbanda, fundamentos religiosos, etc.

Já os encontros de Curimba, são encontros, como por exemplo, os realizados pioneiramente pela Aldeia de Caboclos que objetivam reunir Ogans, médiuns e sues terreiros na troca, desenvolvimento de novos pontos, fundamentação de pontos e propagação da religião como um todo unindo os diferentes terreiros existentes em uma prática mútua. O Ogan na Umbanda deixou de ser apenas um cargo e ganhou a responsabilidade de estudar e poder fazer parte dos fundamentos da gira, não apenas pela sua mão ou pelo couro, mas pelo papel comportamental que sua figura tem nos ritos junto aos Orixás.

Os espíritas do passado não tinham estes incentivos a sua disposição, agora eles existem. Cabe ao médium conhecê-los.

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UMBANDA EAD – EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA



Portais de Umbanda com aulas à distância foram criados com rico conteúdo para oferecer aos membros da religião boas lições sobre “fundamentos”. Não há mais desculpas como “não tenho tempo”, “a escola é longe”, etc. Nisso o Candomblé ainda dá um grande banho na Umbanda.

Os filhos de Candomblé estudam mais do que os Umbandistas. No Candomblé, 7 anos de estudo colado no pai de santo e nos demais membros da casa é o mínimo para você se fazer, nascer no Orixá. Na Umbanda, vemos médiuns que em menos de um ano vão da assistência à médium de passe e limitam sua atuação a incorporação, nem se quer pegam um livro para ler.  O portal “Umbanda EAD” reúne importantes Umbandistas como:

- Alexandre Cumino
- André Santos
- Rodrigo Queiroz
- Erveiro Adriano Camargo
- Severino Sena
- Jorge Scritori
- Lurdes de Campos Vieira
- Marina Cumino
- Marcel Oliveira
- Outros direta ou indiretamente (Rubens Saraceni, Pai Jamil, etc).
Tem filhos de Umbanda que se quer sabe quem eles são e/ou qual a sua importância junto ao meio espírita.

Os espíritas do passado não tinham modelos religiosos, agora eles existem. Cabe ao médium conhecê-los.

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CONCLUSÃO

Você que é filho de fé, dirigente de terreiro, ogan, cambone, médium ou afim, entenda que o mundo mudou e é preciso acompanhar as mudanças da religião com o mundo. Tanto para ver o que "concordar" quanto para ver o que "discordar". Participar e acompanhar as mudanças em nossa religião é o mesmo que se abrir para o mundo! Fugir e negar estas condições é o mesmo que se fechar para ele acreditando que o mundo se limita dentro do seu terreiro e não é bem assim. 

O mesmo Oxalá que rezam em Belém é o mesmo Oxalá de São Paulo, etc. Podemos ter singelas diferenças, mas se todos chamamos de "Umbanda", estamos ou deveríamos estar chamando de mesmo "Oxalá". Ninguém ganha uma discussão no grito. Colocar seu ponto de vista por colocar, colocá-lo sem fundamento, sem saber o que é feito e produzido país a fora é muita audácia, arrogância e prepotência, 3 coisas que os Orixás abominam. Se você pensava desta forma antes, é uma boa hora para mudar e começar a ver que 1 milhão de pessoas pensando na mesma religião é um número muito a quem do seu umbigo, mesmo para aqueles que batem a mão no peito e dizem "o que eu preciso saber o meu Orixá me ensina".

De fato ele te ensina, mas não podemos esquecer que estas mudanças na organização da religião estão acontecendo com a permissão do plano espiritual, portanto, elas tem a fé de Oxalá, o movimento de Yansã, o conhecimento de Oxossi, a lei de Ogum, a justiça de Xango, o amor de Oxum e há um esforço de ser falado uma mesma linguagem, como se a religião fosse a mãe de todos em Yemanjá. Você filho de fé, onde está sua cabeça? Nos estudos e comprometimento com sua religião, ou na prepotência de achar que já sabe tudo e pode seguir dando passes em um terreirinho de portas fechadas em um bairrozinho qualquer sem ninguém para incomodar? É o momento de nos prostrarmos, nos reduzirmos, nos humilharmos diante a Oxalá e reconhecer, que nesta vida, nunca saberemos de tudo, então o mínimo que podemos fazer é estudar. Axé!  

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