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ORIXÁ REGENTES DA CASA PARA 2022: OXUMARÉ E YEMANJÁ

Todo ano o mestre Tranca Ruas deixa a sua interpretação e intuição sobre quem vai reger a energia da nossa casa no próximo ano, o que não significa que outras casas tenham que compartilhar dessa opinião, afinal, cada casa se posiciona de acordo com seus métodos, seus mentores, seus dirigentes, suas raízes, seus mistérios e doutrina. Uns se baseiam em búzios, outros em numerologia (que dia começa o ano, etc), outros em intuição de seus mentores e assim por diante.

Desde a inauguração em 2015 do T.U.S Caboclo Pena Verde e Flecheiro de Aruanda, os textos de vibração do Orixá regente servem como uma bússola para energias que podem se repetir ou das quais podemos aproveitá-las ou evita-las com mais intensidade, lembrando que independente de regência, dentro de uma perspectiva Umbandista, sempre precisaremos da energia de todos os Orixás e não apenas um ou dois por ano.

 

OXUMARE


Oxumaré (Ou Oxumarê), no sincretismo religioso visto como "São Bartolomeu" na Umbanda faz polo com Oxum no trono do amor. Trata-se de um dos Orixás mais ricos em herança de mitologia, pois sua forma (metade homem e metade cobra) abrange diversas lendas interessantes e que estimulam a criatividade ao imaginá-la.

 

Independente de mitos, assim como Exu, Oxumaré é tido como um excelente comunicador. Esta será uma grande competência exigida em todos os setores e relacionamentos em 2022. Ficamos muito tempo sem relacionamentos sociais (e/ou com relacionamentos restritos), será que ainda sabemos lidar com eles?

 


O que é / O que será / Como será as relações humanas em um cenário pós pandemia, sendo que ela ainda não acabou? A pandemia deixou claro que nós não sabemos nos comunicar e nem respeitar a comunicação alheia, seja aderindo a comunicação preventiva de órgãos especialistas em saúde como “fique em casa, use máscara” até a comunicação “sou à favor ou contra às vacinas”, “Eu não sou do grupo de risco”, “Eu já peguei”.

 

Comunicação vai além do falar ou escrever, vai além do egoísmo do “esta é minha opinião, siga a sua”, a comunicação remete a ter que saber ouvir, interpretar, digerir, dialogar, pensar, refletir na forma de falar e respeitar a opinião alheia. Em uma de suas interpretações, Oxumaré usaria o arco-íris, a grande cobra colorida para comunicar a terra com os Orixás. A comunicação será algo fortemente presente, necessário e exigido em 2022.

 

Pessoas que souberem usar esta competência estarão à frente de vagas de emprego, promoções, terão visibilidade, bons clientes, sucesso em negociações em relação aqueles que não sabem comunicar-se e/ou tem dificuldades para fazê-lo, ou pior, aqueles que tem dificuldades de comunicar-se, mas acham que estão abalando, acham que são a última bolacha do pacote e no fim não conseguem ver suas próprias limitações, incompetências, defeitos e fragilidades.



Oxumaré é a renovação, a troca de pele, a mudança de personalidade, a dualidade, a constante transformação (pode trazer oscilação de humor) e mudanças repentinas de gostos totalmente contraditórios (Hoje eu quero isso, amanhã acordo e não quero mais!). A vibração de Oxumaré nos ajuda a despirmos a roupa do medo, da zona de conforto, da cobra acuada, da roupa apertada do sofrimento e nos impulsiona a buscamos peles mais condizentes com nosso novo eu, com o novo mundo.

 

Oxumaré é a dicotomia, a duplicidade, a união, a analogia, a controvérsia, a diversidade, o dueto (até sua própria imagem de uma cobra que morde o próprio rabo em simbologia de infinidade, círculo, ciclo, começo, meio, fim e recomeço). É o homem e a mulher em seu aspecto primitivo. É instinto. É misticismo e impulsos.

 


Oxumaré acentua ainda avanços na medicina, nas áreas da saúde, de terapias holísticas, atendimentos de oraculistas, aplicação do lado místico, magístico e oculto das religiões e práticas voltadas para cura e desenvolvimento do ser humano.  

 

Outro lado positivo desta vibração é a capacidade de adaptação, comunicação e mudança, colocar para fora o veneno que me adoece. No lado negativo traz  impulsividade, ansiedade e conflitos advindos de uma comunicação ineficaz, arcaica, desatualizada e insuficiente para o contexto. Sua essência é o movimento, emoções (que estarão à flor da pele), a continuidade da vida, do eu, da minha personalidade. A comunicação entre o céu e a terra, entre o homem e o sagrado, entre o real e o espiritual.

 

No jargão popular as pessoas “soltaram os pinos, perderam a cabeça” na pandemia. A vinda de Yemanjá (acalme minha cabeça) e de Oxumaré (transforme meu corpo, minha vida, meu espírito e sentimentos) pode dar ao homem um pouco de paz: cuidar da cabeça (Yemanjá), do corpo e espírito (Oxumaré).

 

Em relação a doenças cuidado com “venenos tóxicos” seja de uma decepção ou frustração que acarretam o adoecimento do corpo e da mente (doenças psicossomáticas). Cuidado com doenças degenerativas, doenças de pele, intoxicações, doenças relacionadas ao sangue (anemia, fraqueza, etc).

 

YEMANJÁ

 


Yemanjá é orixá conhecida na Umbanda como rainha dos mares, mãe de todos, protetora das cabeças, dos peixes, dos pescadores, dos navegantes, dos marujos, marinheiros, das sereias, das ondinas e todo povo do mar. Na Umbanda Sagrada se posiciona como a regente feminina do trono da geração, trono da vida, trono que gera, que cria.

 

O que podemos esperar positivamente das vibrações desta Orixá é a capacidade de criar nosso próprio caminho, criar nossas condições, criar nossas oportunidades, criar nossa família, criar coisas diferente, criar uma nova rotina, adaptar-se ao novo, aprender a navegar sobre outros mares e assim por diante.

 

Yemanjá acentua a criatividade, desperta a vontade de viajar, conhecer novos lugares, novas culturas, novas pessoas, acentua mudança, transição de carreira, reforma de casas, conquistas no lar, para o lar e do lar!

 

Ficamos presos em casa por longos períodos e é hora de partir para conquistar o tempo perdido. Longe de baixar a guarda com as questões de prevenção e promoção de saúde, mas motivados, impulsionados para reaprender a navegar tranquilo em águas que ontem eram turbulentas. É aquela velha história “mar calmo, nunca fez bom marinheiro”. O mar que ecoa, avança para voltar com força.

 


A Pandemia de 2020 e 2021 bateu forte nos empregos informais (Moça do cachorro quente, o tio do engraxate, o ambulante de roupas, e em um lado mais ligado ao povo da rua, até nas prostitutas, nos profissionais da noite, semelhantes) e no setor de serviços, lazer e entretenimento (supermercados, cabelereiros, restaurantes, teatros, cinemas, turismo, etc).

 

Yemanjá permite recriar estas áreas neste novo mundo, ela é protetora dos mercadores, como uma boa mãe, vai fazer de tudo para vibrar sobre o comércio as oportunidades de voltar ao jogo, de se reinventar, de adaptar-se, de colocar seu barco e remo aos seus serviços.  

 

No lado negativo, as crises hídricas e elétricas podem voltar a assolar nossa população. Ao mesmo tempo que o planeta tem abundancia de água salgada, ele tem cada vez menos chuvas e presença de águas doces. A volta de racionamento, apagões, falta de energia, problemas relacionado ao fornecimento de água podem se mostrar presentes se não nos conscientizarmos sobre o uso adequado destes recursos.

 


Alguns empregos foram extintos na pandemia, empresas que aprenderam a inovar, criar e reinventar-se adotaram práticas como homeoffice, investiram pesado em tecnologia, inteligência artificial, e-commerce e automatização de funções. Uma empresa que por exemplo devolveu ou vendeu o seu prédio para colocar sua operação 100% em homeoffice não precisa mais de um porteiro, de uma copeira para servir café ou de uma faxineira para limpar o andar.

 

Pessoas que perderam sua fonte de renda na pandemia tiveram que aprender a pescar de outra maneira. A Volta de Yemanjá na concepção da nossa casa é essa volta do mar que estava ecoado. É a volta da esperança, a volta da vontade de navegar, a volta da vontade de ir atrás da nossa pesca, do nosso peixe, de ir atrás da nossa liberdade, a volta da coragem de remar o barco, a volta da vontade de conhecer novos horizontes.


Com tanta informatização, Yemanjá possibilita um foco para relações humanas, afinal do que adianta um mundo todo informatizado cheio de pessoas vazias, tristes, deprimidas, sem sentido na vida e com um grande vazio existencial?

 

No lado negativo Yemanjá ainda impulsiona ciúmes, competitividade, inveja (principalmente “por que você está progredindo e eu não”), fofoca, brigas em família, doenças psicológicas (depressão, pânico, medo, baixa-estima, compulsividade, paranoias, ansiedade, transtornos de personalidade, etc), perturbações mentais, procrastinação e preguiça (o que seria o inverso da nossa iniciativa / vontade de fazer).     

 

RESUMO

 

Vamos aproveitar para cuidar da nossa cabeça (evitar, tratar e prevenir doenças psicológicas), da nossa espiritualidade (misticismo e comunicação com sagrado aflorado), saúde, família, trabalho (principalmente comércios, área da saúde e áreas criativas), cuidar da nossa água e recursos naturais.


Vamos repensar nas relações humanas, aprimorar e fortalecer laços, nos conectarmos com bons pensamentos, fortalecer nosso ORI, nosso barco, nossos remos, nossas conexões pessoais e espirituais. Vamos acreditar em nosso potencial criativo e adaptativo de superar tempestades e de recompor-se. 

 

Fique atento à brigas, crises de ciúmes, traições, surtos e descontroles emocionais, foque em aperfeiçoar sua comunicação, seu lado espiritual e reserve tempo para seu lazer, para seu descanso, aproveite os impulsos motivacionais para ir atrás dos seus planos, sonhos, metas e realizações. Aproveite o poder criativo (Yemanjá) e renovador (Oxumaré).  


Que Yemanjá e Oxumaré abençoe o seu 2022!

Abc,

Pai Eduardo de Oxossi 

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